
Porquê?
Porque hoje é Sexta Feira!!!!!!
Porque na aridez das emoções, uma lágrima pode trazer a vida. E porque gosto do ré maior. Gosto e não se fala mais nisso.

Encontrei-te. Gosto de pensar que não foi por acaso. Mas se foi, não deixa de ser igualmente maravilhoso. Não sei bem quanto tempo vais andar pela minha vida...mas hoje apetece-me muito (mais do que em qualquer outro dia) que fiques até ao fim. À primeira vista, foste-me banal. Foste mais uma pessoa no amontoado de conhecidos. Não eras nada mais além de "mais alguém". É por isso que o amor à primeira vista (no qual não acredito) , tem para mim menos encanto do que aquele que se descobre aos poucos. Porque à medida que te descubro, encontro infinitas possibilidades de ser mais feliz a cada dia que passa. Porque à medida que te descubro, descubro-me também. Porque à medida que te descubro, as minhas teorias pobres acerca do valor das pessoas caem por terra como castelos de cartas. Há pessoas que valem tanto sem ninguém o saber...tu vales tanto e talvez nem tu o soubesses! E eu descubro em ti que afinal, o amor é assim. Assim. Exactamente assim. Como eu não sabia que fosse. Escrevo porque preciso que o saibam. Que todos o saibam. Preciso partilhar que afinal, ainda há provas de amor a sério. E que só alguém com um coração muito grande consegue dá-las. E tu Conseguiste. Por isso, mereces que o diga. E que faça saber ao mundo inteiro que provas de amor há muitas...mas que algumas são perfeitas.
Irritam-me pessoas sem originalidade. Imitações. Falsas personalidades. Gente que não se mexe por si e que parece ter um cordelinho pendurado no rabo que é preciso puxar para se fazerem à vida. Vidas Copy paste. Vidas sem sumo. Vidas sem brilho. E já nem falo dos meus velhotes aqui do lar...que esses coitados, já merecem descanso e que não lhe chaguem muito a cabeça com teorias sobre a podridão do mundo...Falo de jovens caraças...falo de miúdos com pouco mais de uma dúzia de anos, que canalizam energias a tentarem ser iguaizinhos uns aos outros. Se aquele faz...então eu vou fazer também que assim é que bonito! Bonito é tudo a combinar! Não se preocupam em combinar a côr da roupa mas preocupam-se em combinar a cor das vidas e dos comportamentos uns dos outros. Vidas e comportamentos fúteis claro...porque vidas e comportamentos que valem a pena, que precisam esforço, que dão luta...era boa era...esses ninguém imita! Que vómito...Que tédio! Que nojo! E depois ai ai que a juventude está perdida...Oh pá...perdida de todo não está...mas que caminha para lá a passos largos...ai isso caminha. Mexam-se caraças! Pensem pela vossa cabeça! Gritem! Protestem! Façam-se à vida! Façam a vida acontecer!
...excepto a vontade de trabalhar com energia e entusiasmo num Domingo de manhã. Não dá. É que não dá mesmo. E com este post, não faço nada mais nada menos do que procrastinar.

“Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo.
O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.
Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em “diálogo”. O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam “praticamente” apaixonadas.
Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do “tá bem, tudo bem”, tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?
O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida,o nosso “dá lá um jeitinho sentimental”. Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar.
O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A “vidinha” é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.
O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha – é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.”