sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Desabafo

Acho que não gosto de demasiada arrumação. Acho que a confusão é para mim mais estimulante, mais surpreendente, mais criativa...Mas a verdade, é que quando me deparo com vidas, ideias e planos muito arrumadinhos, fico sempre aflita e a julgar-me uma anormal. É porque eu, nunca consegui arrumar-me. E preocupa-me bastante andar confusa a vida inteira. Mesmo que a vida inteira, signifique uma vida com apenas vinte e seis anos. Por isso, às vezes penso em vidas arrumadíssimas, impecavelmente pensadas e organizadas, cheias de planos vincados a ferro a vapor e de certezas polidas e brilhantes, e ao olhar para as minhas confusões, dúvidas e incertezas poeirentas, apetece-me bastante abrir um buraco e enfiar-me lá dentro. E depois, sinto-me complicada e estranha e acho sempre que vou chegar a "lugar nenhum" que é o lugar onde chega quem não sabe onde quer chegar exactamente.
E pronto...é isto. 

JMJ I

Vou às Jornadas Mundiais da Juventude em Madrid. Ando a sonhar com isto há um ano. A expectativa é enorme e a mochila que levo há-de ser pequena. 
Pequena porque quero levar comigo apenas o essencial para que, na volta, possa trazer comigo apenas o essencial. 

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Frases minhas I

As pessoas são um lugar estranho.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Aventura...

...é fazer a viagem Bragança - Porto e Porto - Bragança no mês de Agosto com obras no IP4. À ida a coisa até correu bem...tudo dentro da normalidade. Na volta, não sei que se passou por ali, mas decidiram fechar todos os acessos decentes. Repito...todos.  Após quatro horas de desvios, curvas, nervos em franja e muito cansaço, lá chegámos vivos a casa.
O mais engraçado de tudo, são as plaquinhas amarelas minúsculas a dizer "desvio". É que são tão pequenas e vêm-se tão mal à noite que, não fosse a crise que o país atravessa e a minha convicção de que ainda há gente que não brinca com coisas sérias, diria que aquilo é uma piada para os apanhados. No meio disto tudo, pergunto-me: qual é a deles? Matarem a gente transmontana? Se calhar...se morrêssemos todos de uma vez, o dinheiro já podia ir todinho para Lisboa sem haver polémicas! Olha que óptima ideia!...

sábado, 6 de agosto de 2011

Fugir

Enfrentar pode ser uma maneira corajosa de fugir.

Não pode?

Para: Fábrica de letras, desafio do mês de Agosto - Fugir

É por isso que não se pode agradar a todos

Há quem ande por aí a amaldiçoar o estado do tempo. Pois cá para mim, não podia estar melhor. 
Não entendem? 
Então é porque, provavelmente nunca tiveram de trabalhar um fim de semana de Agosto inteirinho. 

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Sabes?...


...tão radical sou eu, quando digo que acredito em certas verdades, como tu, quando dizes que não é verdade que, aquilo em que acredito, seja verdadeiro.

Deixar de fazer coisas que para mim, não são certas, é tão radical como tu fazeres essas mesmas coisas por achares que não são erradas.

Entendes?...

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Uma outra forma de olhar

E Agosto é todo o ano para mim
"Senhor, lembro-Te  os emigrantes.

Voltam em Agosto.
Olhamo-los e dizemos «eles».

Partiram e sabemos a razão.

Porque sonharam outra vida.
Sem pés descalços,
sem quilómetros a pé,
sem carregos à cabeça
sem a malga de barro onde escorria a seiva e donde se sorvia então um caldozito.

Voltam para dizer aqui a dignidade.

Voltam todos os anos em Agosto.
Carros enormes
e vestidos de outro jeito.

Voltam para casar.
Para baptizar os filhos naquela mesma igreja.
Voltam para ir a Fátima.
Voltam e existem.

Em Agosto revelam-se desejos e mistérios guardados todo o ano.

Palavras como berço, regresso, reeencontro.

Senhor, ensina-nos os gestos solidários
que lhes digam quanto os esperámos
nesta
e noutras terras que são suas.

Pressinto que todo o ano eles sentem como o poeta:

E ainda hoje, vou com o vento balouçando.
E Agosto é todo o ano para mim."

Maria Teresa Frazão

sábado, 23 de julho de 2011

domingo, 8 de maio de 2011

Da Santidade

Sempre me custou entender a história dos Santos. Lembro-me que quando era pequenita, uma das coisas que mais confusão me causava eram as palavras do  Padre da minha Paróquia sempre que apelava para que as pessoas trilhassem o caminho da Santidade. Com olhos curiosos e confusos, eu olhava os Santos dos altares e pensava para comigo mesma que eu não queria aquilo para mim. Viver uma vida difícil e cinzenta e depois ser imortalizada numa figura de barro ou de madeira, colocada num cimo de um altar, estática e sem vida? Onde iria eu encontrar o entusiasmo para tal loucura? Sabia que essas pessoas tinham, de facto, vidas exemplares de coragem e de entrega mas durante muito tempo vivi na certeza de que a santidade, era só para gente deslocada do mundo e com um código genético já preparado para tão nobre missão. 
Até ao dia em que percebi com algum espanto, que a santidade é para todos. Até para mim. 
A santidade é muito mais que uma competição cujo prémio é um lugar no altar de uma qualquer Igreja. A santidade é o grande desafio da vida humana. É o querer ser sempre mais e melhor na luta diária que se trava contra as asperezas do caminho. Passa pela entrega aos outros, pela renúncia ao egoísmo e pela inevitável fé, até no extremo da dificuldade e da tristeza. Ser-se Santo, exige uma escolha definitiva mas sempre nova e renovadora: a escolha pelo amor. E este amor não é, ao contrário do que possa parecer a olhares desatentos, um ideal vago e poético...o amor é absolutamente concreto, comprometendo-nos à ação a cada instante. 
O mundo precisa de santos! Não de santinhos...Os santos agem, constroem e edificam. São gente de coragem que vão para o mundo de olhar levantado e anunciam com alegria o Cristo que lhes inspira os passos. Os santinhos falam muito e dedicam-se a encontrar argueiros nos olhos dos outros enquanto, paradoxalmente sofrem de uma cegueira doentia que os impede de verem a trave do próprio olho. Vivem num mundo só deles e falam de Cristo como se de um pesado fardo se tratasse... Talvez por existirem ainda muitos santinhos, seja difícil explicar a um adolescente de hoje, que a maior aventura de sempre é esta do amor. Oxalá as palavras do Papa João Paulo II, um dos maiores santos do nosso tempo, que pediu aos jovens para  não terem medo de serem santos, fizessem eco e se tornassem fecundas...oxalá que sim...E oxalá a coragem da Madre Teresa de Calcutá, que apesar de não ter sido ainda considerada santa, o foi com toda a certeza, oxalá essa coragem, nos entusiasme, se não a fazer o mesmo, pelo menos a tentar olhar o outro (qualquer outro) com o mesmo amor e ternura com que ela ousou olhar. 
A santidade nasce desta ousadia de olhar mais longe e de confiar na grandeza de um Deus que nos quer santos por ser esse o caminho. Não o fácil, não o largo, mas o único que dá sentido a cada passo.