Enfrentar pode ser uma maneira corajosa de fugir.
Não pode?
Para: Fábrica de letras, desafio do mês de Agosto - Fugir
Porque na aridez das emoções, uma lágrima pode trazer a vida. E porque gosto do ré maior. Gosto e não se fala mais nisso.
sábado, 6 de agosto de 2011
É por isso que não se pode agradar a todos
Há quem ande por aí a amaldiçoar o estado do tempo. Pois cá para mim, não podia estar melhor.
Não entendem?
Então é porque, provavelmente nunca tiveram de trabalhar um fim de semana de Agosto inteirinho.
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
Sabes?...
...tão radical sou eu, quando digo que acredito em certas verdades, como tu, quando dizes que não é verdade que, aquilo em que acredito, seja verdadeiro.
Deixar de fazer coisas que para mim, não são certas, é tão radical como tu fazeres essas mesmas coisas por achares que não são erradas.
Entendes?...
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
Uma outra forma de olhar
E Agosto é todo o ano para mim
"Senhor, lembro-Te os emigrantes.
Voltam em Agosto.
Olhamo-los e dizemos «eles».
Olhamo-los e dizemos «eles».
Partiram e sabemos a razão.
Porque sonharam outra vida.
Sem pés descalços,
sem quilómetros a pé,
sem carregos à cabeça
sem a malga de barro onde escorria a seiva e donde se sorvia então um caldozito.
Sem pés descalços,
sem quilómetros a pé,
sem carregos à cabeça
sem a malga de barro onde escorria a seiva e donde se sorvia então um caldozito.
Voltam para dizer aqui a dignidade.
Voltam todos os anos em Agosto.
Carros enormes
e vestidos de outro jeito.
Carros enormes
e vestidos de outro jeito.
Voltam para casar.
Para baptizar os filhos naquela mesma igreja.
Voltam para ir a Fátima.
Voltam e existem.
Para baptizar os filhos naquela mesma igreja.
Voltam para ir a Fátima.
Voltam e existem.
Em Agosto revelam-se desejos e mistérios guardados todo o ano.
Palavras como berço, regresso, reeencontro.
Senhor, ensina-nos os gestos solidários
que lhes digam quanto os esperámos
nesta
e noutras terras que são suas.
que lhes digam quanto os esperámos
nesta
e noutras terras que são suas.
Pressinto que todo o ano eles sentem como o poeta:
E ainda hoje, vou com o vento balouçando.
E Agosto é todo o ano para mim."
E Agosto é todo o ano para mim."
Maria Teresa Frazão
sábado, 23 de julho de 2011
domingo, 8 de maio de 2011
Da Santidade
Sempre me custou entender a história dos Santos. Lembro-me que quando era pequenita, uma das coisas que mais confusão me causava eram as palavras do Padre da minha Paróquia sempre que apelava para que as pessoas trilhassem o caminho da Santidade. Com olhos curiosos e confusos, eu olhava os Santos dos altares e pensava para comigo mesma que eu não queria aquilo para mim. Viver uma vida difícil e cinzenta e depois ser imortalizada numa figura de barro ou de madeira, colocada num cimo de um altar, estática e sem vida? Onde iria eu encontrar o entusiasmo para tal loucura? Sabia que essas pessoas tinham, de facto, vidas exemplares de coragem e de entrega mas durante muito tempo vivi na certeza de que a santidade, era só para gente deslocada do mundo e com um código genético já preparado para tão nobre missão.
Até ao dia em que percebi com algum espanto, que a santidade é para todos. Até para mim.
A santidade é muito mais que uma competição cujo prémio é um lugar no altar de uma qualquer Igreja. A santidade é o grande desafio da vida humana. É o querer ser sempre mais e melhor na luta diária que se trava contra as asperezas do caminho. Passa pela entrega aos outros, pela renúncia ao egoísmo e pela inevitável fé, até no extremo da dificuldade e da tristeza. Ser-se Santo, exige uma escolha definitiva mas sempre nova e renovadora: a escolha pelo amor. E este amor não é, ao contrário do que possa parecer a olhares desatentos, um ideal vago e poético...o amor é absolutamente concreto, comprometendo-nos à ação a cada instante.
O mundo precisa de santos! Não de santinhos...Os santos agem, constroem e edificam. São gente de coragem que vão para o mundo de olhar levantado e anunciam com alegria o Cristo que lhes inspira os passos. Os santinhos falam muito e dedicam-se a encontrar argueiros nos olhos dos outros enquanto, paradoxalmente sofrem de uma cegueira doentia que os impede de verem a trave do próprio olho. Vivem num mundo só deles e falam de Cristo como se de um pesado fardo se tratasse... Talvez por existirem ainda muitos santinhos, seja difícil explicar a um adolescente de hoje, que a maior aventura de sempre é esta do amor. Oxalá as palavras do Papa João Paulo II, um dos maiores santos do nosso tempo, que pediu aos jovens para não terem medo de serem santos, fizessem eco e se tornassem fecundas...oxalá que sim...E oxalá a coragem da Madre Teresa de Calcutá, que apesar de não ter sido ainda considerada santa, o foi com toda a certeza, oxalá essa coragem, nos entusiasme, se não a fazer o mesmo, pelo menos a tentar olhar o outro (qualquer outro) com o mesmo amor e ternura com que ela ousou olhar.
A santidade nasce desta ousadia de olhar mais longe e de confiar na grandeza de um Deus que nos quer santos por ser esse o caminho. Não o fácil, não o largo, mas o único que dá sentido a cada passo.
sábado, 7 de maio de 2011
Quem mora por aqui
Conheço uma pessoa que luta muito. Uma pessoa que luta sempre. E que faz da luta uma história bonita e sem mágoa. Conheço uma pessoa que se entrega sem medo da derrota e que vai até ao fim de tudo. Até ao fim dela mesma se preciso for. É uma pessoa corajosa esta, que eu conheço. Não se deixa amedrontar pelo desânimo nem pelo fracasso e enfrenta a dureza das pedras do caminho sem recuar um passo. Conheço-a desde que nasci e apesar de a não ver há algum tempo, sei que mora por aqui.
Sei que sim.
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Revolta de última hora
Esta coisa de sonhar é muito bonito. Mas ó pah...um conselho para ti que me lês: quando sonhares, sonha com alguma coisa que pode realmente acontecer. Porque essa baboseira de que "tudo é possível" e estrelinhas e borboletinhas e florinhas e coraçõezinhos (como raio se escreve isto?) é uma grande treta. A sério. Sonhar para aquecer, como se diz algures por aqui "não dá com nada". É que com nada mesmo. Nadinha.
Isto passa, isto passa. Espero eu.
Estupidez de última hora
Pelo menos, daqui a uns anos, se sobrevivermos a isto sem morrer de fome, podemos dizer aos nossos netos: "Oh filho (a)...em 2011 é que se passávamos dificuldades. Sabes lá o que é a vida e o que eu e o teu avô passámos...estás bem mal habituadinho (a). Esta garotada...queixa-se de barriga cheia..."
E pronto. É assim.
domingo, 3 de abril de 2011
Assumo.
Não sou forte nem corajosa. Não sou. Tenho muitos medos. Tenho. E depois? Esta mania que os outros têm de apontar o dedo e de arreganhar os dentes, quando percebem as fraquezas de uma pessoa. Sou fraca sou. Assumo. E agora? Quem terá a coragem de atirar a primeira pedra?
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