terça-feira, 28 de setembro de 2010

Medo

Quando era adolescente, jurava que sozinha poderia mudar o mundo. Lembro-me que antes de dormir, ao pensar no meu dia, sentia uma tristeza enorme quando percebia que afinal, não tinha dado o meu melhor e que poderia ter feito muito mais. Mas que tristeza saudável era aquela!...Porque na manhã seguinte, acordava com vontade de conseguir...com a certeza de que aquele dia iria ser diferente. Que iria trazer consigo a grande novidade. E às vezes trazia...e quando não trazia, apesar da tal tristeza, não importava porque eu sabia que o dia seguinte seria melhor.
Vivi muito tempo nesta certeza encantadora de poder mudar o rumo do planeta. Com o tempo, essa certeza foi ficando cada vez mais ténue e constatei com decepção que o mundo inteiro era demasiado grande e que talvez tivesse de canalizar energias para o meu mundo. E fiz isso mesmo. Aliás...continuo a fazê-lo ainda hoje. 
E até ao dia em que deixar de acreditar que consigo, fá-lo-ei.
Mas isto é tudo tão difícil...o ser humano pode ser tão mau quando decide sê-lo...e às vezes nem decide sequer. É mau porque talvez se canse de construir o que outros destroem. Tenho medo de me cansar. Tenho medo de deixar de acreditar que é possível e de me tornar má sem querer. Medo do monstro do desencanto.

Este Blog anda cinzento-escuro. Mas isso é porque o mundo é um lugar hostil. Maravilhoso...mas hostil.

5 comentários:

B disse...

Precisamente!!! Medo de ficar má, tambem eu tenho... mas, apesar do medo, tenho tambem a necessidade de ser má. É um "mata ou morres". É duro e doloroso apercebermo-nos que pela via da clareza e da honestidade não vamos lá... Estou a aprender essa lição. Lentamente, ao início mas já começo a conseguir ser criativa... tem que ser.

Fabi disse...

B...prefiro continuar a acreditar na via da clareza e da honestidade. Se calhar tal como tu vou chegar um dia à mesma conclusão...e tenho medo desse dia.

B disse...

É assustador darmo-nos conta de que caminhamos nesse sentido. Mas, quando nos apercebemos que já lá estamos, o medo desaparece. Fica a adrenalina, os sentidos alerta e a segurança de sabermos que não vamos ser apanhados desprevenidos. E a parte boa (porque a há, sempre!) é sabermos quem são as pessoas com quem podemos contar e a sensação de libertação que temos quando estamos com elas.

Fabi disse...

Pois...talvez tenha de começar a aprender a agir assim...

Marlene disse...

Pois... Hoje também dei um passo nesse sentido! Sinceramente, não quero ser má, não quero mesmo. Mas ultimamente, uma pessoa tem sido má comigo... muito má! tem-me magoado, desiludido, desnorteado e eu cheguei à conclusão que a única forma de me defender, era ser má também! É um sentimento estranho: Não quero, mas tenho que ser (neste caso, o "afastar de" não chega)!