terça-feira, 28 de setembro de 2010

Medo

Quando era adolescente, jurava que sozinha poderia mudar o mundo. Lembro-me que antes de dormir, ao pensar no meu dia, sentia uma tristeza enorme quando percebia que afinal, não tinha dado o meu melhor e que poderia ter feito muito mais. Mas que tristeza saudável era aquela!...Porque na manhã seguinte, acordava com vontade de conseguir...com a certeza de que aquele dia iria ser diferente. Que iria trazer consigo a grande novidade. E às vezes trazia...e quando não trazia, apesar da tal tristeza, não importava porque eu sabia que o dia seguinte seria melhor.
Vivi muito tempo nesta certeza encantadora de poder mudar o rumo do planeta. Com o tempo, essa certeza foi ficando cada vez mais ténue e constatei com decepção que o mundo inteiro era demasiado grande e que talvez tivesse de canalizar energias para o meu mundo. E fiz isso mesmo. Aliás...continuo a fazê-lo ainda hoje. 
E até ao dia em que deixar de acreditar que consigo, fá-lo-ei.
Mas isto é tudo tão difícil...o ser humano pode ser tão mau quando decide sê-lo...e às vezes nem decide sequer. É mau porque talvez se canse de construir o que outros destroem. Tenho medo de me cansar. Tenho medo de deixar de acreditar que é possível e de me tornar má sem querer. Medo do monstro do desencanto.

Este Blog anda cinzento-escuro. Mas isso é porque o mundo é um lugar hostil. Maravilhoso...mas hostil.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Saber esperar I

É uma virtude que anda um pouco esquecida. E que,está a levar-nos a todos para um buraco bem fundo e bem negro. Quer-se tudo para ontem. Quer-se tudo com urgência. Uma urgência desumana. Uma urgência hipócrita. Uma urgência plástica. Estúpida. Sem dignidade. Tudo tem de ser feito perfeito. E rápido. O mais rápido possível. Porque não há tempo. Porque esperar é aborrecido. E porque o que me apetece agora é o obrigatório. Porque a vida tem de ser assim nesta inspiração retida. Bolas. Que cansaço agoniante. 
Preciso de viver com calma. Preciso de parar quando tiver de parar. Preciso de tempo para me encontrar. Tempo para não fazer nada. Para contemplar este mistério todo que nos envolve.O mistério que está aos poucos a deixar de sê-lo porque tudo é feito às pressas. As coisas estão a perder a graça e o brilho. 
O mundo precisa de uma travagem a fundo. Precisa de reaprender o valor da paciência. 
E isso sim, é urgente.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Das alianças II

Foi em Fátima que as trocamos. Porque Fátima é o lugar da paz e do silêncio. Porque Fátima é lugar da expressão de uma fé que nos é comum. Porque Fátima é o lugar da alegria (a verdadeira) que nos impele a sermos sempre mais e melhores. Porque em Fátima, há um ano atrás, quando já estava a nascer qualquer coisa dentro de nós, ele entregou-me uma pulseira branca com a palavra "pureza". Vá-se lá saber os desígnios do Pai... Porque Fátima, é um lugar onde se manifesta um Amor maior do que qualquer outro. porque Fátima é o nosso lugar.
Sem grandes palavras: 
"Que a Mãe nos abençoe" - disse eu.
"E que fique sempre connosco" - disse ele.
E foi isto. Na simplicidade de quem entrega tudo nas mãos do Pai...e da Mãe. E numa prece silenciosa de quem pede que se cumpra a Sua vontade. 
É este o significado das alianças que trocamos. Que elas sejam não só sinal de compromisso um para com o outro, mas sobretudo sinal de compromisso para com Esse Amor maior.




segunda-feira, 13 de setembro de 2010

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Das alianças I

Sempre achei uma patetice usar alianças de compromisso. Sempre disse que nunca iria usar. Sempre apontei o dedo a quem usava e achava que aquilo era uma forma mais ou menos vaidosa de "prender o outro" de dizer: "és meu/minha e isso é a prova". Uso três anéis. Gosto de anéis. Mas não de alianças. Não naquele dedo. Não gosto. Aflige-me. Sufoca-me...

Mas vou ter de me habituar. 

É linda e diz Bruno.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Para que fique claro que eu, demasiadas vezes, não sou flor que se cheire...

...e numa tentativa de exorcizar os meus podres, assunto sobre o qual tenho reflectido bastante nos últimos dias, aqui fica a lista (extensa mas não exaustiva) daquilo que há de pior em mim.

Sou teimosa. Não gosto de não ter razão. Deixo tudo para a última hora. Sou pessimista. Sou complicada (muito, muito complicada). Sou um bocado hipocondríaca mas detesto tomar medicamentos quando tenho de os tomar. Sou parva e estúpida e rabugenta e insuportável para as pessoas de quem gosto mais, quando estou de mal com a vida. Estou muitas vezes de mal com a vida sem saber porquê. Faço filmes (quase sempre filmes de terror). Sou preguiçosa e desmotivada quando tenho de fazer alguma coisa que não gosto. Tenho mau feitio quando durmo pouco. Digo aos outros para comerem direitinho e saudável e eu como de forma errada muitas vezes. Sou antipática quando estou a fazer alguma coisa contrariada mesmo que as pessoas para quem eu sou antipática não tenham nada a ver com o assunto. Penso demais. Sou impaciente. Não sou persistente. Não acredito em mim. Choro por tudo e por nada. Sou sensível demais. Sou ansiosa e stressada. Gosto de tudo perfeito mas se vejo que não vai ficar perfeito desisto antes de começar. Canso-me depressa das coisas. Reclamo demais e por isso sou muitas vezes ingrata. Quando estou mal não consigo disfarçar. Sou mimada e carente. Não sei o que quero. Quando acho que sei o que quero já não quero o que achava que queria. Sou demasiado exigente comigo e com os outros. Sou insegura (...)

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Inconsequente (adjectivo uniforme):

incoerente, contraditório, irreflectido, imponderado (...)

Fui isto tudo no sábado à noite quando tive a triste ideia de levar uns saltos de 10 cm para a noite.

Balanço final:

1. 1,74 m (pelo menos por uma noite)
2. uma sensação de: "uau sou poderosa" nos primeiros 20 minutos,
3. dois pés destruídos,
4. duas pernas a doer muito,
5. uma dor de costas,
6. uma dor de cabeça,
7. uma noite estragada
8. um juramento "mesmo a sério" de nunca mais na vida sair para a noite de tacões
só mais uma coisinha 1 - deve ser a trigésima vez que faço este juramento
só mais uma coisinha 2 - "nunca mais" se calhar é muito tempo

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Da tristeza

As pessoas andam tristes. Todas as pessoas. Mais ninguém reparou nisso? Sou eu que ando a ver o mundo distorcido?...Pessoas tristes, sempre houve. Mas não como agora. Agora, eu olho à minha volta e o que oiço são conversas de desânimo em relação "ao sistema"...ou então, já nem oiço conversa alguma. As pessoas ficam caladas no seu canto, quietas e encolhidas como se tivessem medo de viver e de falar e de sorrir e até de dizer uns disparates. Nas noites de Agosto, vêm-se esplanadas repletas de gente de cara triste e desiludida, jovens agarrados aos telemóveis, cada um no seu mundinho virtual, onde não há espaço para conversas reais e enriquecedoras. Ou então,mesas cheias de garrafas de cerveja vazias ou copos com bebidas de cores duvidosas com gente "alegre" à força.
Ou isto sempre foi assim e eu é que não vi, ou então, está a passar-se algo de estranho e triste. Algum sociólogo será capaz de me explicar este fenómeno? É que eu ainda me lembro de sair à noite e ouvir gargalhas sonoras, jovens à conversa, grupos de amigos que tinham sonhos e lutavam por causas comuns. Ainda me lembro das crianças jogarem às escondidas na rua e de acreditarem no Pai Natal e de gostarem de comer gelados sentadas num banco de jardim e de serem felizes por isso. E de se notar que eram felizes por isso. Hoje há tudo em excesso. Há consolas, telemóveis, PSPS ou o raio que a leve, há seiscentos e tal amigos no facebook e mais trezentos e tal no hi5...mas mesmo assim as pessoas andam tristes. Mesmo assim, a solidão de tanta gente, parece ser cada vez mais evidente e o mais assustador de tudo é cada um parecer viver "bem" com isso.
A causa desta tristeza generalizada deve ser comum. Deve haver uma raiz bem profunda que originou esta planta venenosa que está a contaminar o mundo. 
E eu até desconfio onde está essa raiz. Mas isso, é um tema de conversa que seria interessante ter numa esplanada de Agosto, não fossem o desânimo e a tristeza camuflados por um telemóvel. Ou por uma garrafa de cerveja.

sábado, 14 de agosto de 2010

Definitivamente

...não gosto de calor em demasia. E entenda-se o "em demasia" , qualquer temperatura acima dos 30ºC. Houve um tempo (há alguns anos atrás) em que o calor, para mim, era uma festa e até rezava para que no dia seguinte as temperaturas fossem bem altas para poder aproveitar ao máximo o Verão. Nesse tempo, ainda não trabalhava no mês de Agosto, ainda podia dormir até ao meio dia, ainda passava as tardes na  água de um rio ou de uma piscina qualquer, ainda podia sair até de madrugada para os bailaricos sem a preocupação de ter de acordar no dia seguinte, ainda sonhava em ser morenaça nem que fosse durante dois ou três meses...enfim...nesse tempo o calor era um bem essencial à minha felicidade, durante os meses de férias. Neste momento, se calhar já não. Se calhar, neste momento, até odeio este calor tórrido que me faz sentir peganhenta o dia todo. Este calor que me cansa. Este calor que me faz bocejar durante o dia e que me aflige até de roupa interior e só com o lençol por cima durante a noite. E odeio pensar que há milhares de pessoas na praia, piscina, rio ou qualquer coisa que tenha água fresca lá dentro, enquanto eu tenho de estar com a cabeça enfiada no trabalho. Sim, sim...claro que há muita gente sem trabalho e que tenho de estar grata. E estou. Muito até. Mas no mês de Agosto, a coisa complica-se...e o bom senso derrete. É por isso que desejo ardentemente (no sentido literal da coisa) que chegue rapidamente o frio. Frio bem gelado...frio negativo. Frio de neve. Frio transmontano de tiritar e  de deixar o nariz vermelho e a pingar.  Hummm que delícia...
Não gosto de Agosto.